Alexandre de Moraes abriu investigação e órgãos sob supervisão do Ministério da Fazenda terão de mostrar quem acessou informações fiscais de ministros do SupremAlexandre de Moraes abriu investigação e órgãos sob supervisão do Ministério da Fazenda terão de mostrar quem acessou informações fiscais de ministros do Suprem

STF investiga Receita Federal e Coaf sobre vazamento de dados

2026/01/14 02:49

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decidiu abrir um inquérito para investigar uma possível quebra de sigilo fiscal de ministros da Corte e de seus parentes protagonizada pela Receita Federal e pelo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). O Poder360 apurou que a violação das informações bancárias poderia ter atingido ao menos 2 ministros, embora a suspeita seja generalizada a respeito de todos –e a investigação requer dados sobre todos os 11 magistrados do STF.

A Receita Federal e o Coaf foram oficiados para fornecer explicações sobre quem teve acesso aos dados de ministros e de seus parentes –algo que fica registrado por senha nos sistemas desses 2 órgãos. Foram oficiados as autoridades e solicitados logs de acesso aos sistemas. Não está descartada a quebra de sigilo telemático de autoridades. Caso Moraes não considere suficientes as informações, poderá requerer a perícia nos computadores em que os dados são acessados.

Este jornal digital perguntou à Assessoria de Comunicação do STF a respeito da abertura do inquérito na 2ª feira (12.jan.2026), mas o Supremo não se manifestou.

As eventuais quebras de sigilo teriam ocorrido de forma ilegal. Só integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que trabalham nesses órgãos públicos –Receita Federal e Coaf– têm acesso aos sistemas. Tudo fica registrado com senhas de acesso de quem entra para ver os dados.

Moraes, vice-presidente da Corte, assumiu o plantão judiciário na 2ª feira (12.jan.2026). Com isso, ele também passou a assumir interinamente a presidência do Tribunal. Ele assinará decisões e despachos de processos que considerar urgentes. O recesso judiciário termina em 31 de janeiro.

CONTEXTO: DADOS VAZADOS

Nas últimas semanas, dados pessoais dos ministros ou de seus familiares passaram a ser citados em reportagens na mídia.

No caso de Alexandre de Moraes, houve a divulgação do contrato de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, no valor total de R$ 131,3 milhões em 3 anos. O contrato em si não contém dados sigilosos, mas houve também divulgação de detalhes do funcionamento financeiro do escritório de Viviane que podem ter sido extraídos do Coaf ou da Receita Federal.

No caso do ministro Dias Toffoli, há informações sobre negócios de sua família que também revelam operações financeiras só acessíveis pelo Coaf ou pela Receita Federal.

Os ministros não sabem se houve ou não a quebra do sigilo fiscal, mas há uma corrente dentro da Corte que defende a abertura de um inquérito para apurar. O secretário da Receita Federal é Robinson Barreirinhas, subordinado ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O Coaf é comandado por Ricardo Andrade Saadi, delegado da Polícia Federal. O Coaf é uma unidade de inteligência financeira e está administrativamente ligado ao Banco Central –que é presidido por Gabriel Galípolo.

BANCO MASTER

As reportagens foram publicadas na esteira do caso do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. O fundador do Master, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso na mesma data –ele agora está em liberdade, mas com tornozeleira eletrônica.

Toffoli é relator do caso do Banco Master no STF. Moraes enfrenta uma situação delicada por sua mulher ter advogado para o Master.

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