Empresa de veículos pesados do grupo alemão aumentou a integração entre as unidades fabris do Brasil e do país vizinho e espera nova expansão acelerada nos doisEmpresa de veículos pesados do grupo alemão aumentou a integração entre as unidades fabris do Brasil e do país vizinho e espera nova expansão acelerada nos dois

Como a retomada argentina acelera as vendas de caminhões da Volkswagen no Brasil

2026/01/15 16:00

A Volkswagen Caminhões e Ônibus aproveita a expansão do segmento no mercado argentino para ganhar escala localmente, de tal modo que amplia a integração entre a operação brasileira e a fábrica no país vizinho para elevar as vendas.

“O mercado [de caminhões] na Argentina cresce bastante, e nós, ainda mais. O programa de Javier Milei de estabilidade política ajudou muito o setor e, após inaugurarmos nossa fábrica lá, triplicamos o volume de vendas em 2025 na comparação com o ano anterior”, disse o presidente e CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Roberto Cortes, em entrevista à Bloomberg Línea.

A linha de montagem de Córdoba foi inaugurada em 2024 em uma área de 15.000 metros quadrados para produzir caminhões e ônibus. A montadora exporta kits do polo brasileiro de Resende, no Rio de Janeiro, para a unidade argentina.

Na planta do país vizinho, o processo utilizado é conhecido no setor como CKD (Completely Knocked Down): o veículo é enviado do Brasil desmontado em partes para ser montado localmente, o que exige linhas de soldagem, pintura e união de componentes na unidade.

O modelo de negócio, explicou Cortes, permite ganho de “lead time”. “Tendo as peças em Córdoba, a produção é mais eficiente.”

Segundo o executivo, o mercado de caminhões argentino cresceu cerca de 35% no ano passado. “E nós crescemos 40% na Argentina”, disse.

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O executivo afirmou, por outro lado, que o desempenho na América Latina não tem sido uniforme.

No México, por exemplo, um importante mercado para o grupo, houve em 2025 uma mudança na legislação para caminhões, com a implementação da norma Euro 6, o que obrigou as montadoras a atualizar os modelos para reduzir as emissões, encarecendo os preços.

“O mercado mexicano é muito importante para nós, mas caiu em razão da entrada da nova lei de emissões Euro 6. De acordo com nossas estimativas, o setor fechou com uma queda de aproximadamente 30% em 2025”, disse o executivo.

No Brasil, maior mercado de caminhões e ônibus para o grupo no mundo, as vendas no acumulado de 2025 até novembro recuaram 8% sobre igual período do ano anterior, desempenho impactado pelos modelos extrapesados, amplamente destinados a setores como agronegócio e mineração.

Cortes afirmou que a Volkswagen depende menos do segmento, de modo que a montadora espera fechar o ano fiscal de 2025 com um crescimento de 10% no Brasil, tanto nas categorias leves quanto de pesados.

O CEO e presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Roberto Cortes, espera que 2026 seja positivo para o setor no Brasil (Foto: Empresa/Divulgação)

Em 2026, o cenário para a montadora é considerado positivo. Uma das principais alavancas de crescimento, segundo Cortes, é o lançamento de uma linha de financiamento para renovação de frota de veículos pesados.

A expectativa é que o governo destine R$ 6 bilhões para a modalidade por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com financiamento para compra de veículos novos e seminovos.

Os juros de financiamento convencional para compra de caminhões atualmente estão na faixa de 20% e espera-se que, com a nova linha do BNDES, a taxa caia para cerca de 14% a 15%, mediante cumprimento de determinadas exigências por parte das montadoras, como índice mínimo de conteúdo local.

Solução 100% elétrica

A Volkswagen foi a primeira montadora de veículos pesados do país a estabelecer, em Resende, a produção de caminhões leves 100% elétricos, família batizada e-Delivery.

Cortes disse que a montadora produz 99% de caminhões a combustão e apenas 1% elétricos, devido ao preço ainda elevado do modelo.

“O Brasil não produz baterias. Do custo total de um veículo elétrico, metade é bateria, e as empresas têm que importar o componente, que é perecível e geralmente vem da China, que é muito distante”, explicou.

“O veículo [elétrico] fica mais caro, mesmo produzido no Brasil. A grande maioria [dos clientes] acaba optando pelo modelo a combustão”, acrescentou.

Ele destacou, porém, que a montadora ainda acredita que, para o transporte urbano, o veículo 100% elétrico é a melhor alternativa. “Por isso investimos no e-Delivery, estamos comercializando na medida da necessidade do mercado.”

Na visão de Cortes, nos próximos cinco a sete anos, a curva de produção do elétrico deve ultrapassar a de combustão. “O custo do elétrico vai ser cada vez menor, como qualquer inovação, mas essa tendência nem começou.”

No chamado last mile (última etapa da cadeia de entrega de mercadorias), o executivo relatou que as empresas estão cada vez mais dispostas a adotar a solução elétrica.

“Vendemos o caminhão com carregador, damos garantia, acompanhamos de perto no pós-vendas, mas o volume é pequeno porque o preço ainda é alto.”

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O mesmo raciocínio, apontou Cortes, vale para os ônibus. A montadora lançou o e-Volksbus, voltado para aplicação urbana, que promete ser mais econômico do que o modelo a combustão nesta aplicação.

Contudo, para média e longa distância, ele disse acreditar que outras soluções ganham mais destaque, como os modelos de bicombustíveis.

“Tudo é questão de economia de escala e infraestrutura. O Brasil tem suas prioridades e investir em uma rede de carregamento para algo que, no país, ainda não é uma realidade, inibe as vendas. Teremos uma solução bem diversificada dependendo da aplicação e queremos oferecer todas as alternativas”, afirmou.

Ano eleitoral

O executivo disse identificar fatores positivos em maior quantidade do que negativos em 2026 no Brasil.

Em paralelo, a montadora espera mais investimento por parte do governo brasileiro em ano de eleição, o que acaba gerando resultados positivos em diversos setores, além de uma safra recorde.

“Em 2025, os fatores inibidores [das vendas] foram maiores. Devemos ter uma inversão em 2026”, avaliou.

O executivo acrescentou que a montadora se adapta ao cenário. “Estamos otimistas, mas com cautela. Vamos ajustando a empresa de acordo com as necessidades, mas sempre com foco e responsabilidade. Conquistar market share é consequência, não vamos mudar essa política”, disse Cortes.

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