Após quase uma década marcada por dificuldades climáticas e problemas na implantação das lavouras, a safra de soja 2025/26 no Brasil deve atingir a marca recordApós quase uma década marcada por dificuldades climáticas e problemas na implantação das lavouras, a safra de soja 2025/26 no Brasil deve atingir a marca record

Safra de soja deve atingir recorde de 182 milhões de toneladas, aponta Agroconsult

Após quase uma década marcada por dificuldades climáticas e problemas na implantação das lavouras, a safra de soja 2025/26 no Brasil deve atingir a marca recorde de 182,2 milhões de toneladas, crescimento de 5,9% em relação à safra anterior, segundo estimativa da Agroconsult.

Em um cenário considerado raro devido às condições favoráveis atuais, caso os números se confirmem ao final do Rally, o volume da safra de soja terá aumentado em aproximadamente 10 milhões de toneladas.

A projeção foi divulgada durante a coletiva de imprensa de lançamento do Rally da Safra, nesta quinta-feira (15).

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Segundo André Debastiani, coordenador geral do Rally da Safra e sócio-diretor da Agroconsult, o cenário atual não era observado havia vários anos.

Confira as estimativas de produtividade de soja na safra 2025/26:

Principais fatores para uma safra de soja recorde

Debastiani avalia que o resultado estimado pela Agroconsult combina diversos fatores pontuais para o sucesso da safra, tais como a expansão moderada da área plantada e produtividade média maior, sustentadas por condições climáticas mais regulares no início do ciclo.

Segundo estimativa da consultoria, a produtividade média nacional deve ser de 62,3 sacas por hectare, acima das 60 sacas por hectare registradas na temporada passada. A área cultivada também deve aumentar, totalizando 48,8 milhões de hectares, com incremento próximo de 980 mil hectares.

Safra de soja inicia sem sinais precoces de quebra

As equipes do Rally da Safra, maior expedição técnica privada do país, iniciam os trabalhos de campo diante de um panorama distinto do observado nos últimos anos — em safras anteriores, sinais de perdas já eram evidentes no início do acompanhamento.

Na safra 2022/23, o Rio Grande do Sul apresentava forte comprometimento produtivo, enquanto na temporada posterior (2023/24), era o Mato Grosso que indicava perdas relevantes. Na safra passada, o Rio Grande do Sul voltou a enfrentar um início de ciclo marcado por clima seco e temperaturas elevadas.

Já na safra 25/26, o Rally avalia que as lavouras mantêm, até o momento, potencial produtivo dentro da média dos últimos cinco anos, sem projeções de recordes e, sobretudo, sem alerta de perdas expressivas.

Expansão de área continua, mas em ritmo mais lento

A área plantada com soja segue em expansão, embora em ritmo inferior ao das safras anteriores. Nos últimos dez anos, o crescimento médio anual foi de 1,7 milhão de hectares. Na safra 25/26, o avanço deve ser mais contido, refletindo um ambiente econômico mais restritivo.

De acordo com Debastiani, esse movimento é impulsionado por grupos agrícolas com visão de longo prazo e de valorização da terra, especialmente em áreas de conversão de pastagens, além de produtores com maior solidez financeira.

“Nos últimos 10 anos, a gente vinha crescendo a 1,7 milhão de hectares por ano. Nesse ano, a gente cresceu quase 3 milhões de hectares. Então, a gente está no último ritmo, mas, mesmo assim, falando de um crescimento”, avaliou.

Segundo ele, esse avanço adiciona potencial produtivo relevante: “Isso aí já é um dado importante, porque a gente coloca pelo menos uns 4 milhões de toneladas a mais em termos de potencial por conta desse crescimento de área”, acrescentou.

Mato Grosso lidera avanço, enquanto o Rio Grande do Sul recua

Os maiores incrementos de área foram registrados nas seguintes regiões:

  • Mato Grosso: +270 mil hectares
  • Goiás: +160 mil hectares
  • Mapito (MA, PI e TO): +108 mil hectares
  • Bahia: +96 mil hectares
  • Minas Gerais: +50 mil hectares
  • Mato Grosso do Sul: +46 mil hectares
  • Paraná: +30 mil hectares

Atualmente, o único estado com retração é o Rio Grande do Sul, com redução de 42 mil hectares. Segundo o coordenador do Rally da Safra, a queda é pequena frente ao total de 6,7 milhões de hectares cultivados no estado.

“Temos que lembrar também que, no ano passado, a soja ganhou muito espaço em cima do milho-verão. Então, esse ano, de uma certa forma, o milho-verão cresce esses 40 mil, que acabam tirando da área da soja”, explicou.

Além disso, o ambiente econômico mais restritivo no estado limita novos investimentos, levando produtores a priorizar áreas mais produtivas.

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Nível de investimento é mantido fora do Rio Grande do Sul

Apesar do cenário de margens apertadas e crédito caro, a Agroconsult observa manutenção dos níveis de tecnologia na maior parte do país. Os volumes de adubação permanecem semelhantes aos da safra anterior e os produtores seguem investindo em tecnologia para sustentar a produtividade.

A exceção é o Rio Grande do Sul, onde sucessivas quebras de safra levaram à descapitalização dos produtores.

“As constantes quebras de safra que ocorreram ao longo dos últimos anos, a situação de descapitalização e enfraquecimento do produtor do Rio Grande do Sul tem feito, sim, que ele reduzisse a adubação, que ele buscasse um menor nível de investimento nas lavouras, inclusive com participação de um mercado de semente salva maior”, afirmou Debastiani.

Safra de baixo replantio

Análise da Agroconsult aponta que o plantio da safra 2025/26 apresentou início irregular, com dificuldades na regularização das chuvas em setembro e outubro. Estados como Goiás, Minas Gerais, Maranhão, Piauí, Tocantins e regiões do sudeste e leste do Mato Grosso enfrentaram atrasos.

Em Goiás, o atraso foi o maior da série histórica, com normalização das chuvas apenas no fim de outubro. Situação semelhante ocorreu em Minas Gerais e no Matopiba.

Por outro lado, o Oeste do Paraná registrou o plantio mais adiantado da história, e o sul do Mato Grosso do Sul conseguiu iniciar os trabalhos cedo e em boas condições.

Apesar da irregularidade climática, um ponto destacado é o baixo nível de replantio, bem inferior ao observado em safras como 2023/24.

“O que todas essas regiões têm em comum é que, apesar da irregularidade, a gente não vê um nível de replantio alto como foi o de 2023 e 2024”, afirmou Debastiani.

Clima mais regular sustenta recuperação das lavouras

A regularização das chuvas a partir do final de novembro permitiu avanço consistente do plantio e recuperação das lavouras. Dezembro e início de janeiro apresentaram condições favoráveis em praticamente todo o país.

No Rio Grande do Sul, as chuvas de janeiro elevaram o potencial produtivo para 52 sacas por hectare, acima da média dos últimos cinco anos. Na safra passada, o estado produziu cerca de 15 milhões de toneladas, e agora pode superar 21 milhões de toneladas.

No Paraná, a produtividade estimada é de 65 sacas por hectare, com colheita avançando no oeste do estado. Já no Mato Grosso, a produtividade potencial é de 65 sacas por hectare, enquanto o Mato Grosso do Sul trabalha com 61,5 sacas, mais de 10 sacas acima das últimas duas safras.

Em Goiás, mesmo com atraso no plantio, o potencial estimado é de 66 sacas por hectare. No Nordeste, a Bahia mantém produtividade de 66 sacas, enquanto Maranhão, Piauí e Tocantins projetam média de 60 sacas por hectare.

Desafios de manejo e custos ao produtor seguem no radaar

Para Nelson Caldas, gerente sênior de tratamento de sementes da BASF, o produtor enfrenta desafios relevantes mesmo em um cenário de melhora nos números.

“A gente está com uma safra bastante desafiadora, principalmente no que se refere ao estabelecimento da lavoura. Tivemos alguns ‘ralis climáticos’ que trouxeram desafios em estados como Goiás, Minas, Tocantins e Maranhão, com lavouras estabelecidas fora do planejamento”, afirmou.

Segundo ele, o desafio agora é proteger o potencial produtivo instalado: “o produtor tem que defender esse potencial produtivo, desde o uso de sementes de alta qualidade, bom tratamento de sementes, manejo de plantas daninhas, doenças e pragas. Isso tudo é muito desafiador, ainda mais com a questão de custos na mesa do produtor”.

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Rally da Safra percorre 14 estados até abril

A 23ª edição do Rally da Safra percorre mais de 100 mil quilômetros em 14 estados brasileiros, cobrindo 97% da área de produção de soja e 72% da área de milho do país. Os trabalhos começaram em 6 de janeiro e seguem até o fim de março e início de abril.

As equipes técnicas avaliam diretamente o desenvolvimento das lavouras, manejo, estande de plantas e impacto do clima ao longo do ciclo.

As informações são acompanhadas de perto por produtores, empresas do agronegócio e investidores, uma vez que influenciam expectativas de oferta, preços e estratégias de comercialização no mercado de grãos.

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