O ouro iniciou esta terça-feira (20) em forte alta no mercado internacional e renovou máximas históricas, impulsionado pelo aumento da aversão ao risco global. Os contratos futuros chegaram a US$ 4.737 por onça-troy, enquanto o vencimento para fevereiro avançava mais de 3% na Comex, divisão de metais da Bolsa de Nova York.
Na máxima do dia, o ouro era negociado em torno de US$ 4.755 por onça. No Brasil, o preço do ouro 24 quilates girava próximo de R$ 819 por grama, também com valorização superior a 3% em relação ao fechamento anterior, refletindo o movimento internacional e a busca por proteção.
Além das tensões envolvendo os Estados Unidos e a Groenlândia, conflitos no Oriente Médio e sinais de desaceleração global continuam no radar. A volatilidade nos mercados internacionais, incluindo a renda fixa japonesa, também contribui para a migração de recursos para ativos de proteção.
O movimento ocorre em um contexto de cautela nos mercados financeiros, marcado por quedas simultâneas das bolsas, dos títulos públicos americanos e do dólar. Esse cenário favorece o ouro, tradicionalmente utilizado como reserva de valor em momentos de incerteza.
Em nota enviada ao Monitor do Mercado, Mauriciano Cavalcante, economista da Ourominas, o avanço do metal acompanha o aumento das tensões geopolíticas e a postura defensiva dos investidores.
Segundo ele, a combinação de incertezas políticas e dúvidas sobre os próximos passos do Federal Reserve direciona o fluxo para ativos considerados mais seguros.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou que não pretende recuar do objetivo de controlar o território e não descartou o uso da força, o que elevou o nível de tensão entre aliados.
Esse cenário reacendeu, ainda que em menor escala, o chamado movimento de “sell America”, caracterizado pela saída de recursos de ativos americanos. A desvalorização do dólar, dos Treasuries e das ações abriu espaço para a valorização dos metais preciosos.
“Quando ações, títulos e o dólar se desvalorizam ao mesmo tempo, os metais preciosos se tornam o destino natural do capital em busca de proteção”, afirmou Chris Beauchamp, analista da corretora IG.
A agenda econômica também influencia o comportamento do ouro. Nos Estados Unidos, investidores aguardam a divulgação dos dados de inflação ao consumidor (CPI) e discursos de dirigentes do Federal Reserve, que podem indicar o ritmo futuro dos juros.
Taxas elevadas tendem a limitar ganhos mais intensos do metal, mas a incerteza sobre a política monetária mantém a demanda defensiva.
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