O ciclo de lucro do Bitcoin entrou em território negativo pela primeira vez desde outubro de 2023, segundo dados da CryptoQuant, após o preço do ativo cair abaixo de US$ 90.000. Nesta sexta-feira (23), o BTC era negociado a US$ 89.700, com queda de 0,9% em 24 horas e recuo de 6,4% na semana. O movimento ocorre em meio a um cenário macro mais restritivo, com volatilidade nos mercados globais e maior sensibilidade do Bitcoin a eventos de liquidez.
O dado acendeu um sinal de alerta porque indica que, no agregado, investidores estão realizando mais prejuízos do que lucros ao movimentar moedas na rede. Para traders brasileiros, isso ajuda a explicar a perda de força do preço nas últimas semanas, após a falha do BTC em sustentar níveis acima de US$ 90.000.
O indicador de lucro/prejuízo realizado mede o ganho ou perda efetiva quando Bitcoins são movidos on-chain. Quando fica negativo, significa que mais investidores estão vendendo com prejuízo do que realizando lucro, um comportamento típico de fases de estresse ou transição de mercado.
De acordo com a CryptoQuant, os prejuízos líquidos realizados somam cerca de 69.000 BTC nos últimos 30 dias, o equivalente a US$ 6,18 bilhões aos preços atuais. Esse padrão foi visto pela última vez em março de 2022, quando o mercado já caminhava para um ciclo de baixa.
A queda do BTC para abaixo de US$ 90.000 coincide com deterioração de outras métricas on-chain. O hash rate da rede recuou cerca de 4% nos últimos 30 dias, para aproximadamente 1.054 EH/s, a maior queda mensal em quase dois anos.
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Isso importa porque indica pressão sobre os mineradores, que hoje operam com hashprice entre US$ 40 e US$ 42 por TH/s/dia, níveis que comprimem margens. Com custos elevados, parte desses agentes tende a vender reservas, aumentando a oferta no mercado à vista.
Apesar do enfraquecimento on-chain, dados mostram um comportamento divergente entre varejo e grandes players. Baleias acumularam 56.227 BTC desde meados de dezembro, enquanto investidores de curto prazo seguem realizando perdas, segundo relatórios da AInvest.
Além disso, ETFs de Bitcoin à vista, como IBIT e FBTC, voltaram a registrar entradas líquidas, mesmo após recentes saídas de ETFs no início do mês. Esse fluxo institucional ajuda a limitar quedas mais agressivas, mas ainda não foi suficiente para devolver o BTC à zona acima de US$ 90.000.
No gráfico diário, o Bitcoin encontra suporte imediato em US$ 88.500, com suporte mais forte em US$ 85.000, região próxima à média móvel de 200 dias. A resistência chave permanece em US$ 90.500, cuja recuperação seria necessária para aliviar a pressão vendedora.
O RSI de 14 dias está em 42 pontos, indicando momentum fraco, mas ainda sem condição de sobrevenda. Já o MACD segue negativo, reforçando a leitura de consolidação com viés de baixa no curto prazo, cenário já descrito em análises recentes do Bitcoin caiu abaixo de US$ 90.000.
Para investidores brasileiros, o ciclo de lucro negativo não confirma um novo mercado de baixa, mas sinaliza aumento de risco e necessidade de gestão mais conservadora no curto prazo. A reação do preço nas próximas semanas dependerá do equilíbrio entre pressão dos mineradores, comportamento das baleias e fluxo institucional via ETFs.
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