Lideres regionais deram 30 dias para governo peruano agir para melhorar segurança; local já utiliza o real como uma de suas moedaLideres regionais deram 30 dias para governo peruano agir para melhorar segurança; local já utiliza o real como uma de suas moeda

Comunidade no Peru ameaça pedir para se unir ao Brasil

2026/01/29 08:25

A comunidade indígena de Bellavista Callarú, localizada na região de Loreto, no norte do Peru, enviou um ultimato ao governo central de Lima exigindo segurança e serviços básicos. Liderados pelo prefeito Desiderio Flores Ayambo, os moradores da etnia ticuna ameaçam buscar a “incorporação” formal ao Brasil caso não recebam uma resposta concreta em um prazo de 30 dias.

A localidade fica no distrito de Yavarí, na tríplice fronteira entre Peru, Brasil e Colômbia. O avanço do narcotráfico e do crime organizado transnacional tornou-se o principal motor de problema em Bellavista Callarú, preenchendo o vácuo deixado pela ausência de instituições peruanas.

A região de Loreto é estrategicamente utilizada por cartéis para o escoamento de drogas entre Peru, Colômbia e Brasil. Sem a presença de delegacias ou tribunais locais, os moradores relatam um regime de total impunidade, marcado por extorsões e assassinatos.

DEPENDÊNCIA DO REAL E CRISE NA SAÚDE

A integração de Bellavista Callarú com o restante do Peru é quase nula. O prefeito descreveu uma realidade onde a soberania peruana é apenas simbólica:

  • economia: o sol peruano (moeda do país) não circula na aldeia. As transações cotidianas são realizadas exclusivamente em real brasileiro e peso colombiano;
  • saúde: o posto médico conta com apenas 2 técnicos, sem médicos ou obstetras. Gestantes de risco são frequentemente encaminhadas para hospitais brasileiros;
  • educação: cerca de 300 alunos dividem espaços improvisados, como refeitórios, por falta de salas de aula suficientes.

PEDIDO DE DISTRITALIZAÇÃO

A principal demanda para frear o crime é a criação do distrito de Bellavista Callarú, processo que está parado no Ministério das Relações Exteriores há mais de 2 anos.

“A criação do distrito permitiria instalar o Estado, controlar o território e oferecer serviços para frear o narcotráfico”, afirmou Flores Ayambo. O prefeito ressaltou que a população ainda deseja ser parte do Peru, mas que o abandono os obriga a considerar a anexação ao território brasileiro como uma medida de defesa de direitos humanos.

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