O Bitcoin (BTC) registrou um de seus piores desempenhos diários da última década nesta semana, arrastando consigo todo o mercado de ativos digitais. A criptomoeda líder chegou a mergulhar para perto de US$ 60.000 (aproximadamente R$ 350.000) na quinta-feira, acumulando perdas semanais de dois dígitos. Embora tenha recuperado parte do terreno na sexta-feira, sendo negociada na faixa de US$ 71.000, o movimento abrupto levantou novas preocupações sobre a correlação do setor com ações de tecnologia e o futuro dos ativos digitais.
Para o investidor brasileiro, a volatilidade foi sentida com força nas exchanges locais, onde o preço do Bitcoin oscilou drasticamente em questão de horas. A queda rompeu suportes psicológicos importantes em reais, trazendo o sentimento do mercado de volta ao “medo extremo”. Essa instabilidade reflete uma conexão cada vez mais estreita com o cenário macroeconômico global e às declarações recentes ligadas à política monetária e ao Tesouro dos EUA, que continuam ditando o ritmo do apetite ao risco.
Analistas apontam que o Bitcoin tem se comportado como uma ação de software alavancada, movendo-se em sintonia com índices de tecnologia como o Nasdaq 100. O surgimento e a dominância da inteligência artificial parecem estar drenando capital de outros setores de tecnologia e, por tabela, do mercado cripto, sugerindo aos olhos de Wall Street que as criptomoedas podem estar perdendo o brilho da “novidade”. O índice Crypto Fear and Greed permanece em níveis de “medo extremo”, refletindo a ansiedade generalizada.
Do ponto de vista técnico, a perda do nível de US$ 73.000 foi crítica. Segundo Jonathan Krinsky, técnico chefe de mercado da BTIG, esse era um patamar de suporte essencial. Agora, para reverter a tendência de baixa, o preço precisaria recuperar e sustentar-se acima dessa marca. O fundo próximo aos US$ 60.000 serviu como uma zona de negociação temporária, mas a pressão vendedora continua evidente.
Outro fator alarmante vem dos produtos de investimento institucional. Os ETFs de Bitcoin à vista registraram cerca de US$ 1,25 bilhão em saídas líquidas nos últimos três dias. Esse movimento pode indicar sinais de capitulação institucional com volume recorde em momentos de pânico, embora a grande maioria dos ativos sob gestão desses fundos ainda não tenha sido liquidada.
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No entanto, a situação financeira dos detentores de ETFs é delicada. Dados da Bianco Research indicam que o preço médio de compra para fundos gigantes, como o IBIT da BlackRock, gira em torno de US$ 90.000. Com o Bitcoin sendo negociado muito abaixo disso, os investidores de ETFs estão sentados em perdas não realizadas na casa dos US$ 15 bilhões. O mercado observa atentamente se essas perdas levarão a mais vendas forçadas, registrando fortes saídas de capital nos ETFs de Bitcoin e Ethereum.
Enquanto o Bitcoin sangra, as altcoins sofrem hemorragias ainda maiores. Ativos como Ether (ETH) e Solana (SOL) viram quedas de aproximadamente 25% na semana. Dados on-chain sugerem uma rotação de capital e pressão sobre altcoins, comum em momentos de aversão ao risco, onde a liquidez seca mais rápido nos ativos de menor capitalização.
Além das moedas, empresas que detêm Bitcoin em tesouraria, como a MicroStrategy (MSTR), enfrentaram recuos de dois dígitos. A queda no valor do Bitcoin colocou as ações da MSTR sob pressão, sendo negociadas momentaneamente com desconto em relação ao valor líquido de seus ativos (NAV), algo raro no histórico recente da empresa.
Em síntese, para o investidor brasileiro, o momento exige cautela extrema e atenção aos níveis de suporte em US$ 60.000 e resistência em US$ 73.000 (R$ 425.000). A correlação com o mercado de ações tradicional indica que o Bitcoin não está operando isolado, e a gestão de risco deve ser a prioridade enquanto a poeira da volatilidade não baixa.
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