A forte liquidação do mercado cripto em fevereiro expôs fragilidades do venture capital focado em blockchain.
Por isso, investidores agora buscam negócios com receita real, usuários ativos e adequação produto-mercado.
O Bitcoin recuou cerca de 40% desde o pico de janeiro, próximo de US$ 126 mil, até mínimas em torno de US$ 72 mil. Com isso, o mercado perdeu aproximadamente US$ 500 bilhões em capitalização. Além disso, mais de US$ 16 bilhões em contratos futuros foram liquidados em apenas dez dias.
Entretanto, o impacto não ficou restrito aos criptoativos, a Coinbase caiu 31,8% em uma semana, enquanto ações da Marathon e Riot também recuaram antes da divulgação de resultados. Esse movimento, portanto, reforçou a aversão ao risco.
Segundo a Bloomberg, grande parte dos US$ 18,9 bilhões investidos por VCs em 2025 financiou projetos dependentes de especulação. Por isso, o modelo mostrou-se frágil quando a liquidez secou.
Apesar do volume elevado investido, o número de negócios despencou de 2.900 para cerca de 1.200, uma queda de 60% em um ano. Além disso, fundos enfrentam dificuldade para captar novos recursos, já que investidores institucionais reduziram a exposição ao setor.
Consequentemente, áreas como NFTs, games e plataformas DeFi puramente especulativas perderam espaço. Em contrapartida, projetos com fluxo de caixa, usuários recorrentes e taxas claras ganharam prioridade.
A Gemini anunciou planos de demitir até 200 funcionários, o equivalente a 25% da equipe, e encerrar operações em vários mercados internacionais. Além disso, a Nifty Gateway, referência em NFTs, fechará em 23 de fevereiro.
Outro sinal relevante veio da Farcaster, a controladora Merkle Manufactory devolverá US$ 180 milhões aos investidores após a venda do projeto. A Entropy, apoiada por a16z e Coinbase Ventures, também encerrou atividades em janeiro.
A Paradigm, uma das principais firmas do setor, perdeu ao menos sete profissionais desde 2024. Além disso, investimentos recentes tiveram desempenho abaixo do esperado, com tokens negociados abaixo do preço inicial.
Por isso, cresce a expectativa de fechamento ou redução discreta de fundos especializados. Ao mesmo tempo, VCs tradicionais disputam os poucos projetos considerados sólidos.
Ainda assim, alguns casos resistem. A exchange Hyperliquid e a plataforma Pump.fun mostram que receita e crescimento ainda são possíveis, sobretudo quando a especulação é parte explícita do produto.
No entanto, o ciclo mudou. A crise força o venture capital cripto a abandonar promessas fáceis e adotar métricas clássicas. Portanto, sobreviverão os projetos que entregarem valor real, não apenas narrativas.
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