O Iprev-DF (Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal) perdeu R$ 281,3 milhões em ações do BRB (Banco Regional de Brasília) desde 2017, quando recebeu R$ 531,4 milhões em papéis do governo do Distrito Federal. A crise envolvendo o Banco Master acelerou a desvalorização. O valor corresponde a uma queda de 52,93% no período.
O fundo dos aposentados do DF é o 2º maior acionista do BRB, com 18,73% das ações ordinárias e 12,33% do total, atrás apenas do governo do Distrito Federal, que detém 53,71% do total e 56,48% das ações ordinárias.
Na cotação atual do papel, essa participação vale R$ 250,06 milhões. O banco tem aproximadamente 320,1 milhões de ações ordinárias em circulação, das quais o Iprev detém 59,9 milhões.
Os papéis ordinários do BRB aceleraram a queda após a liquidação do Banco Master, em 18.nov.2025. A cotação do ativo passou de R$ 7,64 para R$ 4,17, conforme o fechamento de 9.fev.2026 — uma queda de 45,42%.
Em nov.2017, as ações do BRB custavam cerca de R$ 2,00 e tinham baixa liquidez, mas atingiram a máxima histórica em 7.jan.2021, a R$ 109,22. Se a gestão do Iprev tivesse vendido sua participação nesse pico, teria arrecadado R$ 6,5 bilhões.
O governo do Distrito Federal transferiu ações do BRB e imóveis para o Iprev em 2015. O então governador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) adotou a medida para compensar retiradas de cerca de R$ 2 bilhões, feitas por sua gestão, para fechar as contas públicas. Desde então, o fundo, que era superavitário, passou a enfrentar dificuldades financeiras.
Os ativos cedidos integram o Fundo Solidário Garantidor, criado para proteger o Iprev em momentos de insuficiência financeira. Relatórios e demonstrações do instituto mostram que a atual gestão utiliza a rentabilidade líquida da carteira de investimentos dessa reserva para pagar despesas correntes do regime de previdência.
Além de registrar dificuldades de crescimento e déficits nos últimos 10 anos, essa reserva encolheu ainda mais com a desvalorização acelerada das ações do BRB nos últimos 3 meses.


