O dólar fechou esta sexta-feira (27) em queda de 0,10%, a R$ 5,13 — menor nível desde 21 de maio de 2024. Segundo operadores, o fluxo de recursos estrangeiros contribuiu para a trajetória de queda da moeda americana.
Analistas apontam que o real continua amparado pela estratégia conhecida como carry trade. Nesse tipo de operação, investidores captam recursos em países com juros baixos e aplicam em mercados com taxas mais elevadas, buscando ganhar com o diferencial.
Mesmo com o início de um ciclo de cortes da Selic esperado para março, o diferencial de juros ainda é visto como favorável ao Brasil.
A sessão foi marcada por volatilidade, influenciada por fatores técnicos típicos de fim de mês. Entre esses fatores está a formação da taxa Ptax, referência calculada pelo Banco Central (BC) para liquidação de contratos cambiais.
No fim do mês, investidores costumam ajustar posições no mercado futuro e buscar influenciar a taxa de referência, elevando o volume e as oscilações.
Também houve rolagem de contratos futuros, prática em que participantes estendem suas posições para prazos mais longos.
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, operou em leve queda, próximo dos 97,675 pontos.
Confira o gráfico DXY (em tempo real):
Entre moedas comparáveis ao real, apenas o rand sul-africano registrou valorização frente ao dólar.
Os preços do petróleo avançaram mais de 2%, após ausência de progresso nas negociações entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear iraniano. A alta da commodity tende a favorecer moedas de países exportadores.
A leitura do IPCA-15 de fevereiro ficou acima das expectativas do mercado. O indicador, considerado uma prévia da inflação oficial, acelerou de 0,20% em janeiro para 0,84% em fevereiro. O teto das projeções era de 0,69%.
Com isso, houve leve redução nas apostas de corte de 50 pontos-base na taxa Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária, em março.
Pesquisas eleitorais recentes mostraram fortalecimento de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial e empate técnico com Luiz Inácio Lula da Silva em simulações de segundo turno. Operadores, porém, avaliam que o noticiário eleitoral deve ter impacto limitado sobre o câmbio até o segundo semestre.
A expectativa é que o mercado entre em “modo eleições” a partir do meio do ano, movimento que deve elevar a volatilidade da taxa de câmbio.
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