A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (23) a Operação Barco de Papel, que tem como alvo diretores do Rioprevidência, autarquia responsável pela gesA Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (23) a Operação Barco de Papel, que tem como alvo diretores do Rioprevidência, autarquia responsável pela ges

Diretores do Rioprevidência são alvos da PF em desdobramento do caso Master

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (23) a Operação Barco de Papel, que tem como alvo diretores do Rioprevidência, autarquia responsável pela gestão de mais de 235 mil servidores do Estado do Rio de Janeiro. A ação ocorre no contexto das investigações que envolvem o Banco Master.

Estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro. As diligências ocorrem na sede do Rioprevidência e em endereços nos bairros de Botafogo e Urca, na Zona Sul da capital fluminense.

Entre os alvos estão o diretor-presidente Deivis Marcon Antunes, o diretor de Investimentos Eucherio Lerner Rodrigues e o gerente de investimentos Pedro Pinheiro Guerra Leal.

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O trabalho investigativo contou com apoio da Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social (SPREV/MPS). O órgão elaborou o Relatório de Auditoria Fiscal que impulsionou a apuração.

Estão sendo investigados crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo gestão fraudulenta, desvio de recursos e indução em erro de repartição pública. Também são apuradas suspeitas de fraude à fiscalização ou ao investidor, associação criminosa e corrupção passiva.

Mudança na cúpula e aportes levantaram suspeita

A operação ocorre três meses após o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) apontar uma “notável coincidência” entre a mudança na cúpula do Rioprevidência e o início dos investimentos no Banco Master.

Entre julho e outubro de 2023, foram nomeados Deivis Marcon Antunes para a presidência do órgão, Eucherio Lerner Rodrigues para a Diretoria de Investimentos e Pedro Pinheiro Guerra Leal para a gerência de investimentos. Em novembro daquele ano, começaram os aportes no banco.

Posteriormente, o Banco Master entrou em processo de liquidação e passou a ser alvo de investigações da Polícia Federal. Atualmente, apenas Antunes e Leal permanecem no Rioprevidência.

Operações financeiras do Rioprevidência

A investigação teve início em novembro de 2025 e apura nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024. Segundo a Polícia Federal, essas operações resultaram na aplicação de cerca de R$ 970 milhões do Rioprevidência em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.

Entre outubro de 2023 e agosto de 2024, a autarquia investiu recursos em títulos com vencimento em 2033 e 2034.

O principal risco desse tipo de investimento é a quebra do banco emissor, o que pode comprometer a devolução do valor aplicado, mesmo com correção.

No caso do Rioprevidência, os recursos investidos fazem parte do montante destinado ao pagamento de aposentadorias de servidores que ingressaram no serviço público estadual na última década.

Divergência sobre valores investidos

O governo do estado informa que aplicou R$ 960 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Já o TCE-RJ incluiu no cálculo investimentos realizados em fundos administrados pelo banco e por sua corretora, elevando o valor total para R$ 2,6 bilhões.

Segundo o tribunal, parte relevante desses recursos não está coberta pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mecanismo que protege investidores em caso de quebra de instituições financeiras, dentro de limites estabelecidos. O governo estadual afirma que o pagamento de aposentadorias e pensões está mantido.

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Credenciamento e apontamentos do TCE

De acordo com o TCE-RJ, a nomeação de Eucherio Lerner Rodrigues foi publicada no Diário Oficial em 4 de outubro de 2023, mesma data em que o Banco Master enviou um e-mail solicitando credenciamento junto ao Rioprevidência, etapa obrigatória para que instituições financeiras possam receber recursos do fundo previdenciário.

Ainda segundo o tribunal, nesse mesmo dia foi aberto o procedimento interno para análise do pedido. Doze dias depois, Pedro Leal encaminhou ofício à Gerência de Controle Interno e Auditoria (GERCIA), informando que o banco atendia aos requisitos técnicos.

Em 19 de outubro de 2023, Deivis Antunes autorizou o credenciamento. Segundo o TCE, o processo ocorreu de forma acelerada e com irregularidades aparentes.

“Ao analisar o trâmite deste processo, fica absolutamente evidenciado que houve uma conduta acelerada para realizar a primeira aplicação no Banco Master, a qual ocorreu de forma inadequada e com aparentes irregularidades, sem as devidas formalidades básicas para garantir o melhor interesse ao RPPS [Regime Próprio de Previdência Social]”, conforme trecho do documento do tribunal.

Alertas ignorados e aprofundamento da crise com o Rioprevidência

Em maio, o TCE emitiu alerta ao Rioprevidência, comunicado também ao governador e ao Banco Master, sobre os riscos dos investimentos. Apesar disso, o fundo previdenciário aplicou mais R$ 1,1 bilhão em fundos geridos pela corretora do banco entre 20 de maio e 25 de julho, período em que a crise da instituição já era amplamente divulgada.

O Banco Master entrou no centro de uma crise financeira e policial após a divulgação de investigações que culminaram na prisão de seu controlador, Daniel Vorcaro, e na decretação de liquidação extrajudicial pelo Banco Central, em novembro de 2025.

A instituição é investigada pela Polícia Federal por suspeitas de gestão fraudulenta, criação de carteiras de crédito falsas, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.

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Em ofício enviado ao TCE, Deivis Antunes afirmou que o processo de credenciamento do Banco Master teve início no começo de 2023 e foi concluído em 4 de outubro do mesmo ano.

Segundo ele, o Banco Master “tinha longa e adimplente relação com o Estado do Rio”.

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