Uma reavaliação expressiva de ativos financeiros ligados ao Banco Master reacendeu um debate importante sobre governança, transparência e riscos no mercado de crédito privado, especialmente nos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs).
O caso envolve um conjunto de FIDCs adquirido por um fundo ligado ao banco por cerca de R$ 850 milhões que, posteriormente, foi avaliado em aproximadamente R$ 11 bilhões — quase 12 vezes superior ao preço de compra —, segundo reportagem do Valor Econômico.
A incerteza, no entanto, está na valorização. O ativo em questão não passou por mudanças estruturais, nem houve eventos econômicos que justificassem uma multiplicação expressiva de valor. Trata-se de crédito, ou seja, recebíveis financeiros com fluxos de pagamento definidos no futuro.
Neste episódio do Ligando os Pontos, Marcos de Vasconcellos, CEO do Monitor do Mercado, explica como funcionam os FIDCs, porque eles cresceram tanto no Brasil e quais oportunidades oferecem em um país de crédito caro e juros elevados.
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Os FIDCs são fundos que investem em direitos creditórios, comprando esses ativos com desconto à vista e buscando retorno com o recebimento integral no vencimento. Esse tipo de fundo se expandiu nos últimos anos como alternativa ao crédito bancário tradicional.
Atualmente, os FIDCs somam quase R$ 1 trilhão em patrimônio no Brasil, representando cerca de 7% de toda a indústria de fundos, participação superior à dos fundos de ações, por exemplo. Com esse crescimento, eventuais problemas deixam de ser pontuais e têm potencial impacto sistêmico, segundo Vasconcellos.
Apesar desse aumento, cerca de 75% do crédito no Brasil ainda é concedido por bancos, um mercado caracterizado por concentração e custos elevados.
Diferentemente de empresas operacionais, os direitos creditórios não costumam apresentar valorização abrupta sem mudanças relevantes em suas condições de pagamento ou garantias.
Em instituições financeiras tradicionais, reavaliações desse tipo tendem a impactar diretamente o balanço, afetando capital regulatório, provisões para perdas e o nível de supervisão dos órgãos reguladores.
No caso em questão, a operação ocorreu dentro de um FIDC, estrutura que possui regras próprias e tratamento distinto do balanço bancário.
Além do episódio envolvendo o Banco Master, investidores também acompanham o caso da Fictor, empresa que captou recursos por meio de Sociedades em Conta de Participação (SCPs) e, posteriormente, migrou investidores para FIDCs.
Relatos de atrasos em pagamentos levantaram questionamentos sobre a alocação dos recursos e a transparência das estruturas.
Nem todos os FIDCs apresentam o mesmo nível de risco. Há fundos com estruturas simples, cadeia curta de originação de crédito e governança mais robusta. Outros operam com estruturas mais longas, pulverizadas e de difícil auditoria, o que pode dificultar a identificação de problemas.
Apesar de serem regulados, os FIDCs não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em situações de estresse ou inadimplência, eventuais ajustes recaem sobre o próprio fundo e podem levar tempo para serem resolvidos.
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